Pela primeira vez desde a criação do sistema Andante, em 2002, todas as Lojas Andante da Área Metropolitana do Porto encerraram portas no passado dia 3 de junho. A ação culminou numa concentração de trabalhadores junto à sede da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP), onde foi exigida uma solução para situações de precariedade laboral que, em alguns casos, se prolongam há mais de duas décadas.
A iniciativa, acompanhada e apoiada pela ASSIFECO, reuniu trabalhadores de várias Lojas Andante da região, na sequência de um processo de representação sindical que tem procurado sensibilizar as entidades responsáveis para a necessidade de encontrar uma solução justa e duradoura para estes profissionais.
Ao longo de mais de 20 anos, estes trabalhadores asseguraram o atendimento presencial aos passageiros, a emissão e gestão de cartões Andante, a implementação de novos títulos de transporte e o apoio aos milhares de utilizadores que recorrem diariamente ao sistema de mobilidade da Área Metropolitana do Porto.
Apesar da natureza permanente das funções desempenhadas, muitos destes profissionais continuam vinculados através de sucessivos contratos de prestação de serviços e de regimes de outsourcing que se renovam há anos, mantendo uma situação de instabilidade laboral prolongada.
A criação da Transportes Metropolitanos do Porto, em janeiro de 2025, foi encarada por muitos trabalhadores como uma oportunidade para corrigir situações de precariedade existentes há largos anos.
Com a transferência para a nova entidade da gestão do sistema de bilhética Andante e das respetivas lojas, foi criada a expectativa de que pudesse ser encontrado um caminho para integrar profissionais que há muito asseguram funções essenciais ao funcionamento do sistema.
Embora alguns trabalhadores tenham visto reconhecida a sua ligação ao serviço através da integração na nova estrutura, muitos outros continuam sem uma solução definida.
Para os trabalhadores, a questão não se resume a uma reivindicação laboral. Trata-se, sobretudo, de uma questão de justiça, coerência e reconhecimento para profissionais que contribuíram para a construção e consolidação de um dos mais importantes sistemas de mobilidade do país.
Ao longo deste processo, a ASSIFECO tem acompanhado os trabalhadores junto das entidades competentes, defendendo a valorização da experiência profissional acumulada ao longo de mais de duas décadas e apelando à construção de soluções que conciliem os interesses dos trabalhadores com os desafios organizacionais da TMP.
A ação ocorreu numa fase particularmente relevante para os transportes públicos da região.
A TMP assumiu um papel central na gestão integrada da mobilidade da Área Metropolitana do Porto, incluindo a coordenação do sistema Andante e dos serviços associados.
Ao mesmo tempo, foram anunciadas novas políticas de mobilidade, incluindo a gratuitidade dos transportes públicos para os residentes do Porto a partir de 2027, medida que deverá aumentar a procura pelos serviços de transporte e reforçar a importância dos mecanismos de apoio e atendimento aos passageiros.
Os trabalhadores defendem que esta transformação da mobilidade metropolitana deve ser acompanhada pela valorização dos profissionais que asseguram diariamente o funcionamento dos serviços de proximidade.
Durante a concentração, os trabalhadores procuraram transmitir que a iniciativa não constituiu um ato de hostilidade para com a TMP, mas sim uma chamada de atenção para expectativas que consideram estar por concretizar.
O sentimento dominante entre os participantes foi descrito como uma mistura de preocupação, desilusão e esperança.
Preocupação por continuarem sem uma resposta para situações que se prolongam há muitos anos.
Desilusão porque a criação da TMP alimentou a expectativa de que seria finalmente possível encontrar uma solução.
E esperança porque continuam a acreditar que o diálogo poderá permitir construir um caminho justo para todos os envolvidos.
A mensagem deixada pelos trabalhadores foi clara: esta não é uma ação contra a TMP, mas sim um apelo para que o processo iniciado com a criação da nova entidade metropolitana possa ser concluído de forma coerente e justa para todos os profissionais que ajudaram a construir o sistema Andante.
A ASSIFECO tem acompanhado de perto a situação dos trabalhadores das Lojas Andante e considera que a valorização dos serviços públicos passa inevitavelmente pelo reconhecimento dos profissionais que os asseguram diariamente.
Ao longo dos últimos meses, o sindicato tem privilegiado o diálogo institucional e a procura de soluções equilibradas, defendendo que a experiência, o conhecimento e a dedicação destes trabalhadores constituem um ativo importante para o futuro da mobilidade metropolitana.
Para a ASSIFECO, o processo de transformação atualmente em curso no setor dos transportes representa também uma oportunidade para corrigir situações de precariedade que persistem há muitos anos e para reforçar a estabilidade das equipas que garantem o funcionamento dos serviços de proximidade aos passageiros.
O sindicato entende que existem condições para que seja construído um caminho que responda às legítimas expectativas dos trabalhadores, respeite a autonomia da TMP e contribua para um serviço público cada vez mais qualificado e próximo dos cidadãos.
A ASSIFECO continuará a acompanhar este processo, defendendo os interesses dos trabalhadores e promovendo soluções que privilegiem o diálogo, a justiça e a valorização do trabalho.
Num momento em que os transportes públicos assumem um papel cada vez mais importante para a mobilidade sustentável e para a coesão territorial, a organização sindical considera essencial que o futuro do sistema seja construído com os trabalhadores e não à margem daqueles que, durante mais de duas décadas, garantiram diariamente a sua proximidade aos passageiros.
A história do sistema Andante também foi construída por estes profissionais. O seu contributo, experiência e dedicação merecem reconhecimento, valorização e uma perspetiva de futuro.