Neste dia 28 de abril assinala-se o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho , uma data que nos regista uma verdade muitas vezes esquecida: trabalhar não pode significar adoecer .
Quando se fala em segurança no trabalho, a maioria pensa em acidentes, equipamentos de proteção ou riscos financeiros. Mas há um perigo silencioso que cresce todos os dias nos locais de trabalho: os riscos psicossociais .
Estresse excessivo, assédio moral, pressão constante, sobrecarga, longas jornadas, insegurança laboral e ambientes tóxicos são hoje alguns dos maiores fatores de risco para a saúde dos trabalhadores.
Os números são claros e preocupantes.
Segundo dados internacionais recentes, os riscos psicossociais estão associados a mais de 840 mil mortes anuais relacionadas com doenças cardiovasculares e perturbações mentais. Além disso, representam perdas equivalentes a 45 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALY) e um impacto económico global estimado em 1,37% do PIB mundial .
A realidade portuguesa acompanha esta tendência.
Em Portugal, o custo do stress e dos problemas de saúde psicológico no trabalho pode atingir 5,3 mil milhões de euros por ano , sobretudo devido ao absentismo e ao presentismo (quando o trabalhador está presente, mas sem condições reais de rendimento e concentração).
O mesmo relatório revela que os trabalhadores portugueses podem perder, em média, 8 dias por ano por absentismo associado ao stress e até 15,8 dias por presentismo , um indicador alarmante sobre o impacto real das condições laborais na saúde mental .
Mas há outro dado que merece reflexão:
a Organização Internacional do Trabalho alerta que 35% das pessoas no mundo trabalham mais de 48 horas por semana , aumentando significativamente os riscos de doenças cardiovasculares e desgaste psicológico.
Há uma realidade que muitos trabalhadores conhecem bem: o bullying laboral e o assédio .
Estima-se que 23% dos trabalhadores no mundo já sofreram algum tipo de violência ou assédio no trabalho , sendo a violência psicológica a mais frequente.
Falar de segurança no trabalho, em 2025, é falar também de:
✔ Direito ao descanso
✔ Direito à desconexão
✔ Direito a ambientes de trabalho saudáveis
✔ Direito ao respeito e dignidade
✔ Direito à prevenção de riscos psicossociais
Existe legislação. Mas a prevenção continua a ser insuficiente.
Muitas organizações ainda não implementaram planos concretos para identificar e proteger riscos psicossociais, apesar de estarem comprovados que investem em saúde psicológica no trabalho gera retorno econômico e humano.
A evidência é clara: por cada euro investido na promoção da saúde psicológica no trabalho, o retorno pode chegar a 5 euros , através da redução do absentismo, melhoria da produtividade e menor rotatividade.
Neste Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, a ASSIFECO reafirma o seu compromisso com a defesa das condições de trabalho dignas, seguras e humanas.
Defensor dos trabalhadores é também:
Porque o trabalho deve garantir sustento — nunca sofrimento .
Neste 28 de abril, lembramos:
Segurança no trabalho não é apenas evitar acidentes. É proteger a vida, o equilíbrio e a saúde física e mental de quem trabalha.
A prevenção salva vidas. Ó respeito protegido pessoas. E a dignidade no trabalho é inegociável.